sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Xô Uruca!

29 de fevereiro é uma data única. Bom momento para recomeçar? Então: Uruca!

Bola pra frente...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Seja desconfiado, sempre (ou golpe via classificados)

Pessoal, ontem infelizmente passei por uma terrível experiência, mas me sinto na obrigação moral de compartilhá-la, até como alerta a vocês. Há duas semanas anunciei a venda de meu notebook nos classificados. Havia adquirido um no final de 2006 quando estive lecionando na UFPA. Mas no momento, pressionado por algumas dívidas, poderia me desfazer dele sem problemas. Inicialmente tentei oferecê-lo aos amigos mais próximos e ainda no MercadoLivre, mas sem sucesso.

A propósito, o anúncio no MercadoLivre tornou-se um grande estorvo. Um golpista safado insistia em comprar, forjava e-mails do MercadoLivre, PayPal, Bank of America e até Banco do Brasil para tentar induzir-me a enviar o produto a partir de um (falso) comunicado de pagamento . Acabei desistindo.

Anunciei entãos nos classificados "tradicionais" de um jornal de grande circulação aqui em Belém. O anúncio foi publicado no mesmo final de semana. Na quinta-feira, recebi o contato de uma mulher chamada "Michele" que mostrou muito interesse em adquirir o aparelho. Combinamos em casa na sexta-feira, 8, mas ela não aparecera. Na semana seguinte, como vocês acompanharam, estive representando minha empresa no Campus-Party Brasil. Como tal mulher insistisse em ligar para casa posterguei qualquer contato para quando estivesse de volta.

Regressando à Belém, "Michele" contactou-me novamente para ver o aparelho. Acabei combinando na quinta, às 19h. Às 21h, chegam em casa a dita "Michele" e um rapaz que se disse ser o namorado que entende de informática. Infelizmente na exata hora em que chegaram eu estava quase cochilando na sala e só me dei conta quando minha esposa já tinha dado entrada a eles. Estranhamente, não demonstraram interesse pelo notebook (não perguntaram configuração, motivo da venda, tempo de uso... nada). Logo em seguida, os dois se aproximaram de um canto e o filho-da-puta indivíduo sacou de uma arma da bolsa da mulher. Naquele instante, quase tive um treco, não percebi mais meus pés no chão e estive a ponto de desfalecer. Os dois pegaram as chaves da casa, fecharam as janelas, e deram entrada a outros dois bandidos também armados...

Os cerca de 45 minutos que se seguiram foram de intensa agonia. Tudo bem que -- graças à Deus e a nosso anjo da guarda -- sem violência, mas com muitas ameaças verbais e o deboche próprio dos vagabundos. Tivemos de assistir incólumes a toda a nossa casa ser saqueada. Eu disse TODA! A rigor, deixaram-nos apenas com as roupas do corpo e os eletrodomésticos maiores. Desde sandálias e roupas íntimas levaram... Celulares, dinheiro, relógios, muitas peças de roupa, equipamentos do computador, malas de viagem... Não levam a tevê por não conseguirem carregar. Depois de uns telefonemas, lá fora um taxista parecia aguardá-los. Trancaram-nos então em casa e levaram consigo o molho de chaves. Por sorte, conseguimos sair pois os patetas não se aperceberam que eu trazia comigo também minha cópia das chaves em meu bolso. Obviamente, trocamos todas as chaves de casa após isso.

Okay, mas o que aprender com essa experiência? Que não se deve descuidar da segurança em nenhuma hipótese nem por um único instante. No ímpeto de conseguir vender a mercadoria, acabei errôneamente abaixando meu desconfiômetro. Fazendo um balanço, agora posso enumerar os pontos ou dicas de segurança que poderiam ter me ajudado a evitar este golpe dos classificados. Terá valido meu dia a pena se uma das dicas abaixo lhes for útil de alguma forma:

  • dê um telefone com identificador de chamadas como contato do anúncio;
  • peça sempre um telefone fixo para contato com o interessado. Não aceite somente contato por celular ou e-mail;
  • sempre indague bastante seu possível cliente: onde mora? por que quer comprar? no que trabalha? tem outras ofertas em vista?
  • se preocupe em fazer mais perguntas sobre o produto ao cliente que respondê-las. Se o cliente realmente está interessado, ele se informou e sabe algo sobre o que quer;
  • seus dados são sagrados. Se policie para nunca mencionar diretamente seu endereço e de seu trabalho, seus números telefônicos e nomes das pessoas próximas a você;
  • nunca combine de fechar a transação em sua casa. Se possível, combine em locais amplos e com grande fluxo de pessoas, como shoppings centers ou praças, e melhor ainda se puder ir com acompanhante;
  • nunca combine de ir à casa da pessoa que lhe contactou. Vale inclusive se você for cliente. Aliás, tenha em mente que estelionatários e assaltantes também publicam anúncios nos classificados;
  • saiba blefar! Mencionar despretenciosamente, num contato telefônico, aquele colega da vizinha do seu tio que é investigador da polícia não custa nada, não?
  • pense como um bandido. Faça um exercício de esquecer seu autruísmo. Se você fosse mal-intencionado(a) e dependensse disso para comer no dia seguinte, o que você seria capaz de fazer?
  • por fim: seja desconfiado, sempre! Recuse imediatamente propostas que pareçam muito fáceis ou demasiadamente vantajosas. Fale em dinheiro logo nos primeiros contatos. E converse sempre o que for possível sobre o que está havendo com seus amigos, familiares e colegas de trabalho para trocar opiniões.

Bem, como não poderia deixar de ser, este post tornou-se muito longo. Espero sinceramente ajudar a que mais pessoas não sejam vítimas de qualquer golpe desse tipo como eu o fui.

É isso.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Velhos conhecidos, novos amigos

Clima de encerramento do Campus Party Brasil, hora de confraternizar com os (recém) colegas da blogosfera -- primeira vez que esta palavra aparece aqui. Aliás, isto foi uma das coisas mais curiosas que aconteceram: estar sentado do lado de pessoas com quem você já conversa há tempos, conhece o trabalho e nunca havia visto pessoalmente.

Agradeço a todos os amigos e amigas que conheci aqui, a saber: Pablo Emílio (Lixos e Pérolas), Rodrigo (Jacaré Banguela), Matheus (eoqha.net), S1mone (querida amiga de webstandards-br e do Pixeladas Aleatórias), Kakah (Meu Veneno), Mirian (susbstantivolátil), Manoel "Sayid" Netto (Tecnocracia), Bruno e Rafael, entre outros.

Também não posso deixar de mencionar todos os colegas das palestras principalmente de desenvolvimento e software livre (não citarei todos os nomes pra não me arriscar a esquecer alguém e cometer alguma injustiça).

Grato a todos(as) pela dicas, pela amizade e pela convivência nesta semana. Grande abraço e até a próxima.

Resumo (ou meio resumo) de sábado

Bem gente, hoje, penúltimo dia de Campus Party -- na realidade, último, pois amanhã o evento encerra às 14h -- o resumo vem no meio da tarde. Novamente está sendo dia de desenvolvimento. A rigor, continuação das palestras anteriores sobre os mesmo temas: desenvolvimento de jogos, linguagens Lua e Ruby. Houve um tutorial de Blender -- eu falei, B-L-E-N-D-E-R -- no espaço de software livre, mas como era no mesmo horário dessas de desenvolvimento, não assisti.

A primeira palestra da tarde já valeu o dia: Edgard Damiani fez um relato de sua experiência com desenvolvimento de jogos. A palestra foi bastante motivacional. Edgar enfatizou que os jogos devem surgir para cumprir seu papel de entretenimento. Pra ilustrar, convidou pessoas da platéia para jogarem no emulador de Atari 2600, o Stella. Criticou enfaticamente o que chamou de "inversão de valores" de desenvolvedores que priorizam detalhamento gráfico e tudo, ao invés de simplicidade, jogabilidade e divertimento. Precisa de um super gráfico pra ser divertido? Não, indagou.

Ainda segundo ele, é preciso meter a mão na massa e fazer. São várias as empresas de games que começaram da união de como fundo de quintal, mesmo. Usando as palavras de outro gamer conhecido, "os dez primeiros jogos que você fizer serão ruins", mas ainda assim, faça-os, aprenda, ganhe experiência -- foi a mensagem. Edgard também criticou a visão que ainda há de que jogos são coisas pra crianças (citou o deboche de uma secretária do ministro Gil, apresentando os projetos numa competição de games, como "joguinhos"). Ainda reforçou a filosofia do software livre com compartilhamento de código, com aprender estudando o que outros fizeram, ao invés da mentalidade que ainda existe de esconder, fechar algorítmos e atravancar a evolução tecnológica. Realmente foi uma palestra empolgante! Edgard ainda voltaria ao final da tarde para falar sobre efeitos de shader com o software Render Monkey.

A seguir, as palestras sobre Lua e Ruby deram seqüência às dos outros dias, com breves tutoriais de apresentação das respectivas linguagens. A propósito, os slides das palestras de desenvolvimento já estão disponíveis.

Para promover a área de casemod -- em especial estes dois modelos -- quem apareceu foi o cineasta José "do Caixão" Mogica Marins. Infelizmente, ficamos sem o registro, mas acreditem... Às 16h, os pilotos da Stock Car Cacá Bueno e Daniel Serra estarão dirigindo o simulador direto da feira do evento. Estarei lá!

Acho que é isso. Se houver algo relevante até a noite, registrarei aqui sem dúvida!

Resumo de sexta

Hoje, a grande maioria das palestas da área de desenvolvimento seriam muito boas. Uma tarde inteira garimpando Ruby até na Lua. As de Lua foram apresentadas por Sérgio Queiroz, estudante da TecGraf da Puc-Rio, de onde saiu a linguagem. Já sobre Ruby on Rails quem palestrou foi Júlio Monteiro, um usuário avançado da linguagem.

Em ambas, foram mostrados aspectos técnicos, histórico e características das linguagens. Falando brevemente, como já dito, Lua surgiu no laboratório de tecnologia de computação gráfica da Puc-Rio em 1993, ganhando mais notoriedade internacional a partir do momento em que a LucasArts a utilizou em grande parte do desenvolvimento do game Grim Fandango e, por suas características, a linguagem acabou sendo bastante adequada ao desenvolvimento de jogos.

Ruby, por sua vez, surgiu no Japão, também no início da década de 1990. Apesar de sua larga utilização, seu uso pelo ocidente só se intensificou com a tradução de toda a documentação para o inglês. Já o framework Rails foi desenvolvido para dar apoio à criação do sistemo de projetos BaseCamp. A idéia é conter bastante coisa pronta para só efetivamente programar nos casos particulares e exceções.

O amigo Ézyo lembrou-me de aproveitar o ambiente para fazer contatos para palestras aqui em Belém no Fórum Paraense de Software Livre. Fiz questão de convidar os palestrantes das duas linguagens, além do Luciano Ramanho da comunidade de Python -- isso certamente poderá dar uma boa mesa redonda. Também consegui falar com o próprio Sérgio Amadeu que se prontificou. E ainda o colega Paulo, com o Ginga, o middleware para tv digital do Brasil.

Curioso que ambos palestrantes citaram o ranking do TIOB de linguagens de programação.

Hoje também foi dia de Marcos Pontes, o astronauta brasileiro, falar no Campus Party. Essencialmente contou sua experiência na viagem, os treinamentos, a rotina e tudo o mais. Fiquei trabalhando num site nosso e aproveitando as dicas dos colegas blogueiros durante o resto da noite.

Um ponto positivo a destacar que soube foi o desfecho de uma tentativa de furto de notebook. Dois garotos tentaram sair do pavilhão com notebook sem ter o número de cadastro. O segurança não teve dúvidas: os abordou e os encaminhou à delegacia de polícia. É um ponto positivo pois não tínhamos noção se furtos seriam, ou não, contidos. Ponto para a segurança do evento!

É isso.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Revivendo um clássico

O que você acha que o cara abaixo está fazendo?

Jogando River Raid, oras!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Resumo de quinta (da quinta)

Neste quarto dia de Campus Party Brasil, pela manhã houve uma palestra de um tema interessante: gestão eletrônica de documentos. Infelizmente (novamente) houve algum problema com o horário e acabou atrasando mais de uma hora. Registrei apenas o áudio, pois pretendia estar no InstallFest de Slackware.

Ainda pela manhã, assisti a uma parte do Seminário Nacional de Inclusão Digital, que abordava o tema com representantes de vários programas nacionais de telecentros. Na ocasião, inclusive, falou o diretor-presidente do Serpro, Marcos Mazzoni, dentre outros.

Como ponto negativo, um problema que está se acentuando nestes últimos dias é o som. As equipes de apoio de todas estão deixando o volume do som dos microfones dos palestrantes num nível demasiadamente alto, o que além de irritante e estressante, acaba prejudicando a atenção aos temas. Um exemplo foi a oficina de Gimp no stand do Serpro da qual participei. O instrutor tinha praticamente que gritar para passar as orientações a todos. Acabamos seguindo os tutoriais do site.

O ponto alto foi mesmo a palestra do John "Maddog" Hall sobre software livre. Com um clima meio nostálgico no ar, ele fez um pequeno histórico do software livre, da necessidade de compartilhar código (ou o que quer que seja), do custo que é ter software que não funciona, ainda que tenha sido comprado a preço baixo ou obtido de graça (o mito do custo total de propriedade) -- afinal, seu tempo gasto para lidar com software mal-feito poderia ser melhor usado em prol de sua própria qualidade de vida. Muito boa a palestra!

Ao final do dia, ainda assisti a uma parte da palestra sobre SecondLife com Guilherme Tsuboca (acho que o nome é esse) da empresa KaizenGames. Foram mostrados vários vídeos com explorações de algumas possibilidades no mundo virtual. Apresentou dois jogos desenvolvidos pela empresa e que serão lançados ao final do Campus Party: um futebol pelada e um kart. Outro exemplo interessante consistia em uma espécie de túnel ou labirinto com paredes de tapumes de pano por onde as pessoas devam passar. Nestes tapumes eram projetadas imagens direto do jogo, para simulações ou passeios virtuais. Acho que é isso.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Resumo da quarta

Antes de começar, uns comunicados sobre a cobertura do Campus Party Brasil. Primeiro, decidi fazer um post por dia -- é muito chato ficar com o notebook pra lá e pra cá e ter de ficar sendo revistado pelos seguranças o tempo todo. E segundo, acabou novamente a (pouca) carga que tinha dado nas pilhas da máquina, então fotos agora (infelizmente) serão raridades. E mesmo se houver uma ou outra momento que mereça registro, certamente porei em algum link no Flickr ou coisa do tipo. Então, não deve fazer muita falta.

Isto posto, vamos aos fatos. Pra começar, não peguei nada de muito interessante pela manhã. Voltei novamente ao Kick Ass Kung Fu, onde joguei com um outro colega que fazia capoeira e quase batemos o recorde do jogo :-). Terminaram de montar o ambiente virtual de imersão, mas com tanta gente, não consegui jogar.

A decepção ficou por conta do robozinho Quasi. Fui lá numa boa conversar com ele e tal. Pelo que vi no primeiro dia, pensei que era um puta sistema de inteligência artificial com um módulo sintetizador de voz duca... Tentando pegar o tal robô, perguntei-lhe: "Quasi, qual o sentido da vida?". Minha surpresa quando ele respondeu que leu isso num livro uma vez e a resposta era 22 (!?!). Depois vi que, na verdade, há um controlador que fica manipulando-o e dá vida ao robô. Um fantoche cibernético. O legal é que ele é muito bem feito. A "boca" do robô articula perfeitamente a pronúncia das palavras e tudo.

Nas palestras, fiquei praticamente todo o dia no software livre. Participei de uma introdução ao Ginga com demonstrações e tudo, mas muito básica. Depois houve um tutorial de segurança com configuração de honeypots ativos, direto com um pessoal do NIC.BR, muito interessante. Mais à noite ainda houve introdução ao Python com Luciano Ramalho do PythonBrasil -- excelente, e ainda percebo o quanto ainda podemos avançar com o Python aqui em Belém e ainda uma outra sobre o formato ODF (muito boa também, mas a rigor com pouca novidade pra quem assistiu à do Xavier no Dia do BrOffice no Cefet). No final do dia, ainda consegui assisitr a um pedaço de uma apresentação de um pessoal do EstudioLivre sobre ferramentas para áudio com o Ubuntu Studio (que, aliás, eu nunca tinha ouvido falar).

Mas a melhor parte mesmo foi um bate-papo com Marcelo Tas, o Miranda (dos Ídolos) e a bela VJ Luiza da MTV sobre conteúdos online, liberdade de acesso, informática e sociedade, etc. Foi muito enfática a necessidade de se ajustar certos conceitos sobre o que é pirataria ilegal e o que é compartilhamento de informação. Taz questionou o que há de errado em, p.ex., se baixar músicas na Internet para uso próprio. Acaso é errado emprestar um livro para um amigo quando se acabou de ler? "Crime é proibir um moleque de ler, de ter acesso a uma música e curtir um som", lembrou Miranda. Luiza noticiou um caso bizarro que na Inglaterra em que se sugeria proibir o acesso à Internet a quem compartilhasse música por protocolos P2P. As discussões se aprofundaram nessa linha. Foi realmente muito legal!

Por hora é isso.

Tour pelo evento, robôs e casemods no Flickr

Algumas fotos de coisas interessantes no evento estão no Flickr. A saber, uma bela coleção de casemods (pra quem não sabe, gabinetes de computador personalizados), robozinhos e um breve tour virtual pelo evento.

XNA, Ogre e um pouquinho de Ginga

Realmente conclui que é muito difícil acompanhar a toda a programação interessante do evento. Infelizmente perdi quase toda a palestra sobre o framework da tv digital brasileira...

Perdido por um, perdido por mil. Decidi ir logo para a próxima de minha programação pessoal: plataforma Microsoft XNA com Ogre de lambuja, com Edgar Damiani. Como não era muito a minha praia (e como havia uns grandes almofadões para quem quisesse ficar deitado no chão), acabei gravando o áudio todo para disponibilizá-lo aqui -- numa cobertura especial para o BelJogos.

Na verdade, vi que é um tutorial que vai prosseguir durante toda a semana -- mas infelizmente acho que não terei pique para os próximos dias.

É isso.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Blog não é apenas tecnologia

Depois do Javaman, perambulando pela área do evento, acabei passando apenas pela palestra de Google Gadgets, mas como já estava bem adiantada optei por não assistir.

Acabei indo à palestra do Juliano com o tema "Tecnologia não faz o blog". Uma palestra leve e bem direta. Relacionou a necessidade de "blogar" com a própria necessidade de comunicação do ser humano. Também apresentou a dualidade entre blog de cunho pessoal ou jornalístico, tema que rendeu certa controvérsia. Juliano faz parte do projeto RadarCultura da Fundação Padre Anchieta. O programa também está presente no Campus Party Brasil.

Após isso, cheguei a tentar assistir à palestra sobre o Projeto Morfeo -- pelo pouco que vi, uma espécie de repositório de código online, mas não sei falar mais além disso --, mas o excesso de informação e o cansaço não deixavam.

Java, Javaman e Javali

Às 15h20 de Belém, começou a palestra do Bruno "Javaman" Souza, não sem antes tirar umas fotos junto com o Javali -- mascote da versão livre de java. O Bruno começou perguntando a cada um o que gostaria de saber sobre Java. Claro, zilhões de perguntas apareceram. Depois, sondou o perfil do público: que linguagem, que IDE, que SO, que processador e etc? Enfatizou a necessidade de desenvolvimento multiplataforma e a importância do desenvolvimento de software para o contexto de conectividade que se tem hoje.
Muitas empresas ainda tratam software como segredo.
Para discorrer sobre a necessidade do software ser aberto, livre, fácil de ser compartilhado e tudo o mais, Bruno fez uma afirmação para a qual muitos professores de engenharia de software torceriam o nariz:
Software é muito mais uma arte que uma engenharia.
e daí viria a necessidade de se mostrar o software e de se compartilhar código.

A rigor, a palestra continuou muito nessa linha. Ainda sobre a necessidade de portabilidade e tudo, apresentou-se um Java Ring e smartcards como hardwares capazes de executar a JVM. Próximo ao final, respondeu a algumas das perguntas que suscintou no início mas, intencionalmente ou não, encerrou a palestra às 16h00, sem tempo para esclarecer a todas, cedendo espaço ao próximo palestrante. Entretanto, Bruno Souza se comprometeu a responder às demais perguntas num bate-papo pelos corredores com quem estivesse interessado.

É isso.

E a de direito digital?

Em virtude dos pequenos problemas de horário e atrasos de palestras, acabei perdendo boa parte da palestra sobre direito digital. Mas ainda pude acompanhar o palestrante Ronaldo Lemos mencionando a questão de privacidade na internet, citando o caso Cicarelli contra YouTube, situação clara da desproporcionalidade da proteção do direito individual sobre o coletivo (um princípio constitucional).

Outros esclarecimentos importantes: sim, é possível trocar de licença, desde que para abrir mais, nunca para restringir mais. E ainda: ao usar uma licença livre, o autor não perde a autoria do software ou da obra, continuando sendo sempre o dono dela. Ou seja, aquilo que todo usuário de software livre sabe (ou deveria saber): se meu software estiver sob GPL, nada me impede de vendê-lo; ou ainda, um livro disponibilizado gratuitamente sobre Creative Commons na internet, pode ser vendido pelo autor a uma editora, sem problemas.

Enfim, houve muitas perguntas e não vou lembrar de todas, mas muitas foram dúvidas específicas do público. CC, plágio, aplicações em blogs, direitos no ciber-espaço versus territorial e congêneres foram os assuntos com dúvidas mais freqüentes. Mas foram todas muitíssimo interessantes. Me chamou atenção uma tônica que parece nortear o direito digital: a questão das cada vez maiores restrições impostas pelas leis versus as também cada vez maiores necessidades de liberdade de acesso, sociedade livre, e etc.

É um assunto muito interessante pra uns, e muito chato pra outros... então acho que já chega, não?

Primeira palestra da tarde (pós-almoço)

Putz, depois do almoço curto, com correria e fila, voltar pra assistir às palestras sem praticamente nenhum intervalo foi dose... Conforme o planejamento, fui para a de astronomia. O assunto até parecia bem interessante, mas achei muito focada para estudantes de astronomia, astrofísica e cia ltda.

Decidi seguir o conselho do colega Emanoel do Serpro de Fortaleza e ir à palestra sobre o editor de vídeo livre Cinelerra. Bobagem que fiz. A organização da palestra estava muito aquém -- sequer o computador com o programa instalado tinha, o que teve de ser feito na hora. Também deu problema no microfone, além de outros contratempos.

Muito de improviso, a palestrante Luciana empenhou-se em mostrar a interface do programa e tudo, mas nada além. Uma prática que estava programada também não houve. Uma pena, pois sempre ouvi falar que o Cinelerra é um software de alto nível para ediçào de vídeo e infelizmente não podemos comprovar. Fica para a próxima...

Palestra sobre a DIT (digital Interactive Table)

A palestra sobre a DIT, a rigor, começou mesmo com uma hora de atraso. Mas ao menos foi bem breve ainda que razoavelmente superficial. Grosso modo, pensem nessa Digital Interactive Table como uma espécie de monitor de vídeo touchscreen que fica na horizontal. Mas o legal mesmo são os aplicativos disponíveis. Maximizar janelas com os dedos, movê-las, desenhar, gerar efeitos esfumaçados e até rodar alguns joguinhos como uma versão modernosa do pong -- chamada de Wong, aqui (por sinal, haverá um campeonato logo mais à tarde). Tudo isso com a possibilidade de uso por múltiplas pessoas, possivelmente de forma colaborativa. O próprio Reactable é feito em cima dessa interface.

A palestra foi mesmo bem breve -- pouco mais de meia hora. Os dois palestrantes mostraram que o próprio teclado de computador é considerado o primeiro hardware multi-toque (quem nunca teclou ao mesmo tempo CTRL-ALT-DEL?). Também falaram das tecnologias que existem e são ssencialmente duas. Uma em que feixes infra-vermelhos são dados na lateral da superfície vítrea sendo por ela refratados, gerando espécies de áreas de sombra a partir dos pontos em que os dedos tocam a superfície. Outra, desenvolvida pela Microsoft é bem semelhante, mas emite feixes infra-vermelhos por sobre (o sob) o vidro.

Se essa tecnologia pode substituir as interfaces de entrada tradicionais (teclado e mouse) os palestrantes disseram que sim. Salvo engano -- os palestrantes eram espanhóis e a comunicaçào algumas vezes foi difícil -- há uma API em dó sustenido C# que abstrai detalhes de implementação em baixo nível.

Bem, é isso. Para mais detalhes, pesquisem na internet :-)

Dia II: a missão

Foi confirmada a grade de programação do #cparty. Putz, é muita coisa legal ao mesmo tempo e -- a menos que você tenha sido clonado duas vezes -- não dá pra aproveitar tudo.

Sendo assim, resolvi traçar a minha missão para este segundo dia:

  • até 9h29 - manhã de poucos eventos, talvez eu fique com Evolução da robótica;
  • 11h45 - Campus Futuro, pra ver a Digital Interactive Table, sem dúvida;
  • até 13h29 - pra relaxar depois do almoço, acho que vou assistir a umas partidas do Games;
  • 13h30 - lado nerd aflora; Quântica na Astrofísica, rs :-)
  • 14h30 - Direito digital, acho que pode ser bem útil;
  • 15h30 - Second Life ou Podcast fácil? Acho que vou decidir na hora...
  • 16h00 - ...mas vou sair antes pra ver a de desenvolvimento com Web2.0 e Ajax;
  • 17h00 - Google Gadgets, Tecnologia não faz um blog ou Flight Simulator RX - ou seria o bom o belo e o divertido?
  • 18h00 - Devo ver o que é Plataforma Morfeu? Ou melhor conferir os resultados do OLPC nas escolas?
  • 19h00 - Não posso perder o/a Ginga e a tv digital brasileira.
  • 20h00 - Microsoft XNA (putz, se o Romero tivesse aqui...);
  • 21h00 - Tema livre, não? É... se ainda tiver fôlego, hora coringa pra relaxar...

Ufa..., é isso! Espero conseguir seguir este planejamento. Voltarei a postar em caso de quaisquer novidades.

Até logo mais.

Pelotão, descansar.

Fim do primeiro dia do Campus Party. Hora de dormir... Dá uma certa pena deixar ocioso o link de 5Gb pra ter de dormir (ainda mais sem ter baixado nem a primeira temporada dos Simpsons toda :). Tentei ainda ficar até as 2h, mas agora realmente já é hora.

Pelo lado positivo, ao menos tenho a chance de mostrar as super instalações do acampamento campus tabajara-party. Ao lado vocês podem ver a "Vila Serpro" (reparem no detalhe do logo), alojamento de todos os bravos colegas que cá estão. Ao total são cerca de mil e quinhentas tocas-do-Gugu barraquinhas dessas no terceiro piso do pavilhão da Bienal, no parque do Ibirapuera.

Abaixo segue a minha barraca, com o kit de sobrevivência (da esquerda pra direita): colchonete de dormir -- agradeço ao colega Rafael Marconi de Salvador -- com um lençol, mala com pertences pessoais, bolsa da cia Telefonica (contém uma garrafinha dágua, uma camiseta e um monte de propaganda), cadeado sobre o livro "Amor, verbo intransitivo" de Mário de Andrade, e molho de chaves, tudo isso sobre pasta com papéis importantes e minha caixa de entrada GTD. Ainda tem dois cd's, cabo adaptador mini-usb, mochila para notebook, calça jeans e uma barrinha de cereal, além do meu par de tênis que estava tímido e preferiu não aparecer.

É isso. Vamos dormir que a noite será longa... ou não.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

"Caralh@#$%&! O Gilberto Gil é MUITO doido!"

Esse foi o comentário do colega Léo na abertura do Campus Party Brasil quando o ministro hacker, Gilberto Gil, entrou cantando (talvez grunindo, gemendo, ou fazendo beat-box, sei lá...) pra demonstrar o ReacTable, um revolucionário instrumento musical virtual colaborativo -- basicamente uma mesa de vidro com elementos (pequenas peças cúbicas, cilindricas e etc) com projeções que parecem ser as próprias ondas sonoras vibrando, e na qual se pode, virtualmente realmente, fazer tudo pra arranjar o som: alterar o comprimento das ondas, distorcê-las, uni-las e tudo o mais. Muito paidégua (ou como diria o povo aqui: muito sinistro)! Dê uma olhada no vídeo abaixo. Se você prestar atenção, a batida da bateria gera ondas na tela do ReacTable... (nota mental: comprar uma câmera de melhor resolução e com áudio...)

video

Tá, mas essa não foi a única coisa bacana da abertura do evento. Antes das 23h, horário definido como para a abertura oficial, houve uma contagem regressiva conduzida pelo Quasi, um robozinho que, com recursos de IA, interage com as pessoas e tudo. Pra se ter uma idéia, ao posicionar as câmeras para tirar foto dele, ele mexe os braços e fica fazendo poses(!).

Bem, ainda houve as partes das falas e homenagens e cia. Com a palavra franqueada, falaram Sério Amadeu, o diretor do evento, o cabeludo do Serpro RS, cujo nome não consigo lembrar agora... Marcelo Branco, (vulgo "free bolos" :), o próprio ministro Gil -- que aliás disse que é preciso bandalargar o Brasil, ao se referir à importância da tecnologia e da conectividade nos dias de hoje -- e outros (leia-se, prefeito de São Paulo, presidente da Telefônica, um ou outro pesquisador do CGI.BR, Fapesp e etc e tal).

Como novidades derradeiras a se informar neste primeiro (0-ésimo) dia, foi lançada a Tv do Campus Party Brasil, que transmitirá direto e ao vivo durante todo o evento. Mas, se você preferir acompanhar o evento pelos blogueiros de plantão, seus problemas acabaram: este link pode ser a sua salvação.

É isso, gente. Certamente houve mais detalhes durante o dia, como a experiência no "Kung-Fu Chute na Bunda", mas falo sobre isso com mais calma noutra hora). O evento começou empolgantemente. Veremos como serão os próximos dias. Até lá!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Campus-Party Brasil

É isso mesmo! De alguma forma consegui me juntar à equipe de "campuseiros" e também estarei, a partir de amanhã, no Campus-Party Brasil, talvez o maior evento geek do mundo. Assim, serei um correspondente cobrigndo o evento com relatos diários!

Não percam!

BlogBlogs.Com.Br

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O que dá pra aprender com os fãs de Lost?

Neste 31 de janeiro, estreou nos EUA, a quarta temporada da série Lost -- de que sou fã, diga-se.

Lost é uma série diferenciada mesmo. Os mistérios e as surpresas dos acontecimentos da ilha cativam e produzem ardorosos fãs. Além disso, a equipe de produtores é muito boa no marketing e na promoção da série. Neste ano, para tentar acalmar o ímpeto dos expectadores, foi lançado uma espécie de jogo de realidade alternativa chamado Find815. Iniciativa semelhante ocorreu também anteriormente num outro jogo chamado Lost Experience, que versava sobre alguns mistérios da trama.

Pra quem nunca ouviu falar, na ficção, 815 é o número do vôo da Oceanic Airlines que partiu de Sidney para Los Angeles em 22 de setembro de 2004, supostamente caindo sobre o oceano Pacífico, matando todos os 324 passageiros. (A propósito, pra quem não sabe, Oceanic é uma empresa de aviação fictícia, comumente usada em filmes e seriados de tevê). A trama de Lost é bem complexa. Há muitos detalhes que nos levam a duvidar dos acontecimentos, e tecer teorias mirabolantes sobre tudo. Mas isso fica para outra hora.

O jogo Find815 é basicamente a história de um ex-empregado da empresa de aviação inconformado por ter perdido a namorada aeromoça no acidente, e que busca informações sobre o que realmente possa ter ocorrido. A história é bem linear, mas como disse, os detalhes quase ocultos presentes no jogo é que fazem muitas vezes a diferença. E é sobre isso que vamos falar.

Vi que há jogadores fanáticos da série que escarafuncham tudo, desde possíveis mensagens cifradas em um áudio, ou uma análise quadro-a-quadro de vídeos e coisas do tipo. E há coisas legais para se aprender com isso.

Por exemplo, algum expectador mais atento percebeu que em certos pontos de um vídeo soam sinais semelhantes a código morse. Descobri então que existem páginas que traduzem mensagens em código morse. Já outro jogador descobriu uma mensagem subliminar em braile num outro vídeo (imagem ao lado). Aprendi então que existem sites também para tradução de código em braile. Também volta e meia acham-se palavras ou conjuntos de letras aparentemente sem sentido. Pois outro fanático resolveu pô-las num gerador de anagramas em busca de algo inteligível.

Além disso, localizadores de endereços, como o Google Maps, Yahoo Maps ou mesmo o MSN Live, também foram bem úteis. Ferramentas desse tipo também ajudaram a descobrir pontos no mapa a partir de coordenadas (latitude e longitude).

Enfim. Estas são apenas algumas coisas interessantes presentes no jogo (e de que estou me lembrando agora :-). Mas fica claro que este estilo de jogo de realidade alternativa é bem legal principalmente pra quem é curioso e tem espírito investigativo. Trata-se de uma boa diversão e, de quebra, permite descobrir coisas novas. Para mais informações sobre esse estilo de jogo, visite a página ArgBrasil.

É isso. Fiquemos na expectativa de Lost!